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Foi por carolice de cerca de uma dúzia de Macaenses, determinados a reviver o espírito da récita macaísta, que este grupo de teatro em patuá surgiu em Macau. Estava-se em 1993 e há 16 anos que não se ouvia patuá no palco.

A estreia aconteceu por ocasião da visita a Macau do Presidente da República, Dr. Mário Soares, e da reabertura, após restauro, do Teatro D. Pedro V. A peça apresentada foi “Olâ Pisidente” ( Ver o Presidente ).

Com o sucesso obtido, o grupo lançou-se definitivamente, apresentando “Mano Beto Vai Saiong”, ( Mano Beto vai a Portugal ) 1994; “Unga Sonho di Natal” ( Um Sonho de Natal )-1994. Em 1995, em digressão a S. Francisco ( EUA ), S. Paulo ( Brasil ) e Lisboa, o grupo leva a cena “Chacha Querê Festa! ( A Avó Quer Festa ).

No ano seguinte é convidado a participar no Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica.

O Grupo estreia-se na cidade do Porto com “Saiong Téra Galante” ( Portugal, Terra Esquisita ), peça com que participou pela primeira vez, em 1997, no VIII Festival de Artes de Macau.

Desde então tem levado ao palco
  • “Macau Arviro” (Macau Marota) em 1999
  • “Pápi Tá Ferado” ( Pai, Estás Lixado )em 2000
  • “Siara Zinha (Mulher Zinha ) em 2001
  • “Mezinha Mufino” ( A Desgraçada Mézinha ) em 2002
  • “Mama Sogra já vem! “ ( A Sogra Chegou ) em 2003
  • “Unga Tiro na Escuridam” ( Um Tiro no Escuro ) em 2004
  • “Anjo di Mar, Fula di Céu” ( Uma Sereia do Céu ) em 2005
  • “Vila Paraíso” em 2006
  • “Cuza Dotôr?” ( Que é isso, Doutor? ) em 2007
  • “Sorti Dóci” (A Doce Sorte) em 2008


Da carolice de meia dúzia de Macaenses foi possível ao longo de dezasseis anos, num percurso não isento, naturalmente, de dificuldades e bastante sacrifício de todos, manter vivos um dialecto e uma tradição que constituem, sem dúvida, a argamassa que une a comunidade.

Por outro lado, tendo em vista a continuidade do projecto Dóci Papiaçám di Macau e do próprio dialecto, foi também possível, com muita determinação e persistência dos veteranos do Grupo, formar um número de jovens Macaenses no teatro em patuá, muitos dos quais vieram atraídos pela curiosidade e interesse pela língua, mas sem a falarem sequer.

E é vê-los hoje, actuando e falando patuá como se este tivesse sido a sua língua materna!

Simultaneamente, é de assinalar a introdução de novas valências no Grupo, nomeadamente o Coro e a área de Multimédia, fotomontagem e videografia, liderada por uma equipa de jovens entusiastas, com formação específica variada, que muito tem contribuído para trazer mais vida e uma nova concepção de espectáculo.

"Se hoje em dia se fala com tanto interesse sobre o Patuá, propondo-se até sua candidatura a Património Intangível da UNESCO, muito se deveu ao esforço imparável do Grupo, que ao longo destes anos despertou interesse de todos."

O Patuá é alma do grupo e Macau a sua justificação.

Lista de Videos

Panchito 2

Lista de Galerias

Sórti Dóci
Ensaios
Jantar

CASTIGAT RIDENDO MORES
(corrigindo costumes, rindo-se deles)


É o que fazemos há 15 anos...

Há 15 anos?

É verdade!

A brincar, a brincar, rindo, rindo sempre, sem se dar conta quase, o GRUPO DÓCI PAPIAÇAM DI MACAU chegou aos 15 anos de idade!

Um marco, sem dúvida!

E, de repente, regressa o sentimento de responsabilidade que anualmente nos ataca, quando, no início do ano, o Instituto Cultural de Macau nos aborda para indagar da disponibilidade em participarmos no Festival de Artes de Macau.

É impossíveis não sentirem esta responsabilidade, face à expectativa - disso temos consciência - que se foi enraizando nos “ fiéis ” do Grupo, de verem um novo trabalho em cada Festival.

Por essa altura já-se tem um bom esboço do texto da peça; na cabeça de todos, tudo começa a estar a postos. O tema, esse, já sabe qual é desde há muitos meses. Estamos já a anotar algumas coisas de que vamos precisar, à medida que a ideia nos vai fazendo algumas revelações.

Pouco a pouco a máquina começa a movimentar-se.

Dia de 1º Ensaio - esboçam-se os primeiros gestos, ouvem-se as primeiras gargalhadas, como nos rimos e troçamos uns dos outros!

Os dias passam, agora são os adereços, os ensaios continuam, as reuniões sucedem-se, os cenários estão a ser construídos... Action, rolam as câmaras das filmagens! A adrenalina começa a cavalgar... por vezes o cansaço pesa mesmo...

Hoje é dia de estreia! Boa sorte, muita, muuuuuuuuuuuuuuuita m - r - a ! E que tudo corra bem!

Ao soprarmos as velas do bolo do nosso 15º aniversário, não temos qualquer certeza de que a nossa crítica, ora fina, ora irritante, corrija seja o que for.

Apenas esperamos que celebrem com o GRUPO DÓCI PAPIAÇAM DI MACAU a nossa alegria e o nosso orgulho de sermos Macaenses.

E gostem tanto desta peça como nós gostamos e nos divertimos a prepará-la!

ACERCA DO PATUÁ

O patuá macaense é um dialecto que deriva sobretudo da língua portuguesa, misturando palavras e configurações de palavras do malaio, espanhol, canarim (de Goa) e, mais tarde, do inglês. Pelo menos a partir do século XIX, o chinês cantonense passou a ser, indubitavelmente a sua principal influência.

NOTAS BIOGRÁFICAS


Miguel de Senna Fernandes, dramaturgo e encenador

Advogado de profissão, co-fundador do Grupo de Teatro Dóci Papiáçam de Macau e autor e encenador, praticamente, de todas as peças que o Grupo apresentou durante estes 15 anos de existência. Acérrimo defensor do patuá como língua aglutinadora da comunidade macaense, é um sério investigador do dialecto, tendo publicado, com a colaboração do Professor Alan Baxter, o livroMaquista Chapado” , em 2001, sobre o dialecto de Macau.

Informação:

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Email: info@docipapiacam.com
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